
mayo 30, 2007
a vida chegou num ponto que não é boa nem ruim. e para meus sentimentos mexicanos avassaladores isso não faz sentido algum.mas é bem assim:
eu acordo invariavelmente sob gritos. tenho vinte anos e dou {muito} trabalho para acordar. talvez porque eu vou dormir às duas sabendo que levantar às seis será impraticável. ou talvez porque sou preguiçosa pracaralho.
e segue, né? banho, café da manhã, pouca consciência dos atos, cabelo despenteado, qualquer [qualquer mesmo] roupa, havaianas, escovar dentes e faculdade 1.
aí é só tédio tédio tédio até às 12h.
corro. no sol. por ruas. cheias de carros.
corro contra minha moleza. meu sono. minha vontade nula de trabalhar.
almoço. banho. dentes. agora sim penteio o cabelo.
corro. pelo ônibus. sempre atrasada. no sol.
e jornal.
aí é só tédio tédio tédio até às 18h.
saio. tranquila ou não.
às terças, corro. nos outros dias não.
ônibus. de novo. quase uma hora de trajeto.
leio. canso. fico criando vidas para as pessoas nas paradas. canso. escuto música. canso.
é sempre bem barulhento, sabe?
mesmo assim, durmo. sem querer. porque agora sou velha, cansada e tributável.
em geral, acordo uma parada antes. por minha sorte dois terços dos amontoados feito sardinha descem todos juntos. e o intenso movimento me avisa. faculdade 2.
aí é só tédio tédio tédio até às 22h.
me arrasto até o próximo ônibus. que virá cheio de gente suada largando empregos de shopping ou hotel. praguejo diariamente contra eles, os motoristas brutos, os empresários da empresas de ônibus e o reitor. com sorte estarei em casa em quinze minutos. *utopia*
mas então a divina prefeitura decidiu fazer umas obras de reestruturação da avenida onde eu desço. e, claro!, tiraram a minha parada para 'fazer o trânsito fluir melhor'. tenho que descer antes ou depois do que eu considerava correto. praguejo contra o governo também.
aí casa. janta. banho. computador.
aí duas da manhã.
aí meu pai gritando às seis.
de novo. e de novo. e de novo.
juliana |
|
mayo 28, 2007
eu vejo fotos nas quais eu era a menina mais vivaz do oeste e me pergunto onde eu fui parar.juliana |
|
mayo 05, 2007
quatro de maio de dois mil e sete entra pra história como um dos dias mais felizes da minha vida.randomica |
|
mayo 02, 2007
¿wouldn.t it be nice?
"a felicidade era como uma trepadeira verde a se espalhar por ela, estendendo finas gavinhas, dando flores através de sua carne. ela teve a visão de uma flor branca desbotada, tremeluzindo como se vista na escuridão, ou através da água. por que as pessoas falavam em céu?, pensou ela" - therese em "the price of salt - patricia highsmith".eu estava muito feliz. histericamente feliz. uma daquelas pessoas que vemos nos filmes caminhando pela rua sorrindo e quase tropeçando porque, absorta em pensamentos felizes, esqueceu as coisas mundanas como paralelepípedos.
e meu horóscopo disse que eu estou numa quinzena particularmente estranha. tendência a enveredar por caminhos de autocrítica excessiva, com você se colocando em situações e circunstâncias em que sentirá inadequação.
inadequação é a palavra. eu queria poder registrar todas as minhas linhas de pensamento enquanto me movo de uma obrigação para outra. hoje eu estava fazendo tanto sentido.
quando eu desci do ônibus na faculdade 2 bateu algo ruim como se tivessem me dado um banho com creolina. segui toda incomodada. me sentindo impotente, porque é muito difícil estar onde estou. sem dúvidas, mas sem certezas. e eu só quero o que eu não posso ter.
o caminho inteiro tinha sido de lua cheia limpa e gorda olhando para mim. infindável. no instante em que eu, mergulhada em desinfetante, olhei de novo... era tarde, tarde, tarde. nuvens por todo lado e eu só via o clarão longe, submerso.
nessa hora senti que se alguém se atrevesse a olhar dentro dos meus olhos veria só uma imensa escuridão oca.
e não quero fazer parte de uma geração de pessoas entorpecidas por algo que não é nem dor, nem tristeza. chega de sertão, maracatu, areia quente por entre os dedos. chega de tantos cuidados, chega de películas tão finas que se rasgam com palavras. às vezes, é como se sugassem minha essência porque já perderam a própria essência por completo. não quero me sentir tão exaurida.
na volta pra casa me prometi fazer diferente. sempre encaro meus pés quando ando. hoje olhei todos que cruzaram meu caminho nos olhos. com força. dominando a situação. "feliz e mau como um pau duro".
'cause it.s life.
and it.s happening.
it.s really really happening.
randomica |
|