marzo 31, 2007

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marzo 30, 2007

.aquele das coisas que só meu pai é capaz.

sexta-feira. 16h.
eu *ainda no trabalho* coloco no nick do msn "fazer o que hoje à noite?".

meu pai fica online e manda essa:

Fernandes diz:
Se eu ganhar alguma grana no jogo do bicho hoje, vamos tomar umas cervas em Ponta Negra.


tem como não achar graça?

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marzo 27, 2007

.in the waiting line.

o calor aqui está beirando o insuportável. em casa, na rua, no trabalho. hoje à noite choveu e foi como quando jogamos respingos de água em chapa aquecida, vapor quente por todo o lugar.

vapor. vapor. calor. mas venta. venta? venta vapor aquecido. e a cidade cheira diferente, algo meio agridoce. incomoda. enquanto ando, penso, sigo. movimento sempre. não contraria, só segue. e tá bom assim.

não precisa controle. não é linear. está em tudo. e é tarde... demais. e acaba. acaba o tempo todo. cada dia a mais é um a menos. como na música. como nos livros. como em tudo ao seu redor. como na bula. do remédio. para a dor. pára a dor? nada pára. movimento sempre. desde que o essencial se mantenha. ela disse. todos dizem. e faz sentido? e é sentido? sentir, perder, ouvir.

'você está recebendo isso?'
'sim'.
e tudo começou. ali. 62. guerra. sistema. redes. hoje.

desinência. convergência. acento circunflexo é bonito. completa. preenche. e eu aqui aguda. cheia de regra. cheia de não-me-toques. mas me toque, sim? me perceba. as luzes atravessam a janela e correm assustadas para nosso colchão aqui no chão. nosso. meu. meu. meu. só eu, sua.

e barulhos, barulhos altos, estridentes, infernais. eu só quero ouvir gemidos. os meus. ebulição constante. seguida de efusão. e tudo mais que houver no aumentativo. no exagerado. no caps lock da vida que corre em letras garrafais.

'como é isso que você sente?'
'é como colocar a cabeça para fora de um carro em movimento. quanto mais ar, menos respiração'

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marzo 26, 2007

.i blame it on you.

bem vinda ao dia mais estranho da sua vida.

eu estava ali. e não queria você.
minha tarde foi desastrosa, e odeio quando perco a cabeça tentando inventar mentiras.
estar onde não quero voltou a ser meu maior incômodo.
então eu vibrava numa frequência mínima. eu estava mínima.

nem percebi como cheguei em casa... tudo vazio. eu, as ruas, a casa. sobretudo, eu. 'the good that won.t come out' o tempo inteiro. reverberando. on this frozen lake.

dormir. sempre sempre sempre. fugindo.

não queria ir. eu sentia algo bem grande me empurrando pra baixo.
ao mesmo tempo, eu não via motivo algum para ficar.
o convite mais bonito que já vi pesou um pouco também.
cheguei achando tudo um erro...
foi fluindo. não sei. a lua nova deu uma força. pouco tempo tinha passado e eu já não me sentia uma beterraba em tirinhas. estava com uma energia diferente, de quando vemos pessoas queridas e dá certo.

até que surgiu a sensação de querer correr para dois lados opostos.
vida louca, vida imensa.


"joana sorria, mas não podia evitar que o sofrimento começasse a lhe palpitar em todo o corpo, como uma sede amarga" - clarice lispector, em perto do coração selvagem

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marzo 16, 2007

.aquele do dia em que leram minha sorte nas cartas.

eu não gosto de matar aula. porque acho que é mais difícil me atualizar depois com pessoas que eu não vou com a cara do que assistir, de fato, a aula.

me convenceram a fazer isso hoje. bar. beber. cerveja. barata. e fui.

eu tava no fim da primeira cerveja quando um senhor, senhor mesmo... 60 anos e bolinhas..., abordou a gente. ele desenha e queria desenhar a amiga 1 porque, segundo ele, ela parecia artista de cinema. recusamos e tal. e ele disse "mas isso é porque você foi condessa em outra vida". aí a amiga 2 perguntou o que ela tinha sido e o que eu tinha sido. até então eu quietíssima no meu canto.

ele disse que eu fui conselheira. "você se preocupa mais com os outros que consigo mesma. sempre foi assim". eu tava no meio do gole da cerveja. engasguei.

ele disse que jogava cartas. que tinha um baralho com mais de cem anos. que pertencia à uma família de ciganos. e que eu podia discordar de tudo que ele estava dizendo. paguei.

e ele jogou cartas para mim numa mesa de bar. não que eu tivesse porquê acreditar, mas também não tinha porquê desacreditar. e fui indo.

contou da minha viagem. da minha saúde. do meu sinal do lado esquerdo do corpo. e disse "você está feliz com a pessoa que está". na mesma hora eu fiquei puta "tudo errado, moço. não estou com ninguém." ao que ele disse "você não entende nada. é apressada e teimosa. escute de novo: você está feliz com a pessoa que está. e a pessoa é você."

talvez ninguém nunca tenha feito tanto sentido ao falar comigo.

aí quando eu cheguei em casa nada fazia sentido. nada. e estava bêbada. mais cinco cervejas depois daquela primeira. e a vida. a vida o tempo todo. começei a ouvir interpol. e pensei no quanto estou sozinha. ninguém de agora sabe nada disso, nem compreende... stella was a diver. she was ALWAYS down, sabe? não. ninguém sabe. eles sabiam. e foram embora. e de novo, múm. e "i.ll close my eyes and bite your tongue".

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marzo 15, 2007

.catorze de marzo.

"a gente já conversou tanto sobre a fome humana e a guerra do horror, que nos vimos na obrigação de enrolar um pouco antes de virar animais. ele mexe nos meus dvds e nos meus livros. depois tá liberado mexer no pinto. a gente se ama tanto como amigo. que beleza. é isso. só queria ser amada. só isso. precisa casar comigo não, precisa me engravidar não. basta me olhar assim, basta morrer de rir comigo. basta me ler, me decifrar, ser intenso nesse minuto. vamos todos morrer meus amores, vamos então morrer sabendo que demos vida a alguém. ele me dá vida e quando vai embora, tudo fica pequeno. mas isso não é uma declaração de amor." - tati bernardi

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marzo 07, 2007

de todas as coisas que eu tenho medo, engravidar é a que mais me assusta. e fico tendo pesadelos recorrentes com isso. já perdi até as contas de quantas vezes eu acordei achando que minha vida tinha acabado.

nada contra crianças ou adultos que gostam de crianças. é só que... não faz sentido, no meu mundo com meus valores, dar continuidade à uma espécie escrota como a nossa.

bom, ontem foi noite de pesadelo. de novo. eu já passei por todas as fases de uma gravidez. dessa vez eu estava contando pra minha chefe. foi horrível a sensação. de derrota. de burrice. me senti estúpida, sem rumo, perdida mesmo.

no momento várias pessoas que conheço passam por isso. e com certeza em algum momento pensaram "puta que pariu que merda!". mas claro transformaram isso em nada e passaram a amar o bebê, a barriga, a situação. e eu evito encontrá-las porque não sei lidar... e acabaria dizendo o quanto acho que isso foi a pior coisa que poderia ter acontecido.

voluntary human extinction movement for life.

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marzo 01, 2007

cortometrajes

descobri há um tempo um projeto chamado "hay motivo". é uma série de curtas reunidos como um documentário. ao todo são 32 pedaços, cada um foi feito por um diretor diferente e aborda uma questão social espanhola [que também se aplica ao brasil, já que problema é problema em qualquer lugar do mundo].

é um projeto ousadíssimo. cineastas preocupados em levar a população a refletir. lançado logo antes das eleições de 2004, o longa esmiuça cada coisa esquecida atrás da estante num momento de tremenda agitação não apenas pelo processo eleitoral, mas sobretudo por causa dos atentados em madri.

como a espanha é muito dividida, a história política de lá está intimamente ligada aos estranhamentos entre as comunidades autônomas, como a catalunha e o país vasco [possuidoras de partidos ultra nacionalistas]. e isso dá origem ou agrava situações tensas que vão além da economia e da política, porque mexem individualmente com cada um.

abaixo estão listados os curtas, com comentários nos meus preferidos:

Libre. Joaquín Oristrell
política. economia. televisão. manipulação. custo de vida. aluguel. votação. empregos temporários. telefonia. armas.
¿qué puede haber de positivo si ahora no podrá salir ni a la calle a decir no a la guerra?

El plan hidrológico. Pere Portabella
propõe um novo tipo de olhar aos patrimônios naturais. os rios não são destinados a produzir mais energia elétrica ou mais milho, da mesma forma que bosques não são armazéns de madeira e praias não são canteiros de areia pra construção. "es preciso distinguir entre água vida y água negócio".

La pesadilla. Álvaro del Amo
um passarinho é o narrador. no pesadelo dele, um rio e um bosque que costumavam fazer parte da rota de migração dele e de sua família desaparecem.

Cerrar los Ojos. David Trueba
¿Dónde vivimos? Gracia Querejeta

La insoportable levedad del carrito de la compra. Isabel Coixet.
da difícil realidade de uma pensionista espanhola e das velhinhas que andam com o cabelo grisalho [porque não sobra dinheiro para a tinta] arrastando carrinhos vazios [porque têm cada vez menos poder de compra].
"no se me escapa ni una ¿eh? es que hoy en dia hay un montón de cosas que a mi me chocan"

Soledad. José Ángel Rebolledo
quase uma continuação do curta da isabel. ao final diz "madri, ano 2003. 115 idosos morreram em completa solidão".

Adopción. Sigfrid Monleón
Por tu propio bien. De Icíar Bollaín
Adolescentes. Chus Gutiérrez
El club de las mujeres muertas. Víctor Manuel
Se vende colegio. Pedro Olea

Catequesis. Yolanda García Serrano.
esse é seríssimo. fala dos escândalos sexuais da igreja. em Córdoba, ao sul do país, um padre violentava meninas. ele foi descoberto e condenado a 11 anos. ao saber disso, o bispo da diocese lhe demonstrou apoio e o manteve no cargo. no dia seguinte, assustado com o alarde gerado por essa cumplicidade, destituiu o pároco sem excomungá-lo ou pedir desculpas à sociedade pelo apoio inicial.
esperava-se que o governo intercedesse e condenasse o bispo por apologia a violência de gênero, mas não. ironicamente, a única coisa que aconteceu foi uma redução da verba concedida ao único centro de recuperação e reinserção de mulheres maltratadas.

Las Barranquillas. Víctor García León.
Madrid, mon amour. Ana Díez y Bernardo Belzunegui
Por el mar corre la liebre. José Luis Cuerda.
Arma de destrucción mediática. Miguel Ángel Díez.
Manipulación. Imanol Uribe.
Mis treinta euros. Fernando Colomo.
Doble moral. Juan Diego Botto
Verja. Alfonso Ungría
Español para extranjeros. José Luis García Sánchez
¿Legalidad? Daniel Cebrián
Muertos de segunda. El Gran Wyoming
Yak – 42. Manuel Gómez. Pereira
La pelota vasca. Julio Médem.
Kontrastasun (Versos de Gabriel Celaya). Mireia Lluch
Cena de capitanes. Pere Joan Ventura
Mayday. Manuel Rivas
Técnicas para un golpe de estado. Vicente Aranda
El pasado que te espera. Mariano Barroso
La mosca cojonera. Antonio Betancor

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