
marzo 16, 2007
.aquele do dia em que leram minha sorte nas cartas.
eu não gosto de matar aula. porque acho que é mais difícil me atualizar depois com pessoas que eu não vou com a cara do que assistir, de fato, a aula.me convenceram a fazer isso hoje. bar. beber. cerveja. barata. e fui.
eu tava no fim da primeira cerveja quando um senhor, senhor mesmo... 60 anos e bolinhas..., abordou a gente. ele desenha e queria desenhar a amiga 1 porque, segundo ele, ela parecia artista de cinema. recusamos e tal. e ele disse "mas isso é porque você foi condessa em outra vida". aí a amiga 2 perguntou o que ela tinha sido e o que eu tinha sido. até então eu quietíssima no meu canto.
ele disse que eu fui conselheira. "você se preocupa mais com os outros que consigo mesma. sempre foi assim". eu tava no meio do gole da cerveja. engasguei.
ele disse que jogava cartas. que tinha um baralho com mais de cem anos. que pertencia à uma família de ciganos. e que eu podia discordar de tudo que ele estava dizendo. paguei.
e ele jogou cartas para mim numa mesa de bar. não que eu tivesse porquê acreditar, mas também não tinha porquê desacreditar. e fui indo.
contou da minha viagem. da minha saúde. do meu sinal do lado esquerdo do corpo. e disse "você está feliz com a pessoa que está". na mesma hora eu fiquei puta "tudo errado, moço. não estou com ninguém." ao que ele disse "você não entende nada. é apressada e teimosa. escute de novo: você está feliz com a pessoa que está. e a pessoa é você."
talvez ninguém nunca tenha feito tanto sentido ao falar comigo.
aí quando eu cheguei em casa nada fazia sentido. nada. e estava bêbada. mais cinco cervejas depois daquela primeira. e a vida. a vida o tempo todo. começei a ouvir interpol. e pensei no quanto estou sozinha. ninguém de agora sabe nada disso, nem compreende... stella was a diver. she was ALWAYS down, sabe? não. ninguém sabe. eles sabiam. e foram embora. e de novo, múm. e "i.ll close my eyes and bite your tongue".
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